Pesquisadores brasileiros e franceses realizam, em Fernando de Noronha, um projeto piloto que consiste em um levantamento minucioso das espécies de peixes existentes na ilha. Eles afirmam que o estudo é inédito no mundo.

Chamado Farofa, o projeto é desenvolvido em conjunto por estudiosos do IRD, um instituto de pesquisa da França, e acadêmicos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

"É a primeira vez que se faz esse tipo de pesquisa no mundo. O mapeamento que realizamos pode observar o comportamento relacionado ao turismo e à pesca artesanal. É muito importante saber os padrões de distribuição dos peixes. A partir desse estudo, podemos fazer um planejamento das atividades para o benefício de todos”, declara o biólogo Arnaud Bertrand, integrante do IRD que coordena a pesquisa e também é professor visitante da UFRPE.

Equipamentos modernos são utilizados para fazer uma "radiografia" do fundo do mar. Entre eles, estão um robô submarino que permite registrar os peixes em três dimensões (3D) e um sonar para captação de acústica. Para o levantamento, também é feita a captação de vídeos.

“Para o público geral, vai ser possível ter uma visão em 3D, fazer um clique e ver o vídeo associado ao local. Produzimos 200 horas de vídeos em mais de 20 expedições”, afirma Arnaud Bertrand.

Iniciada em 2015, a pesquisa conta com registros em profundidade de até 200 metros e gerou as primeiras conclusões. “Nós constatamos que o cangulo-preto é a espécie predominante. Já sabemos que é assim em quase todas as ilhas tropicais do Atlântico. Ainda é cedo para saber se é um desequilíbrio ou é normal”, diz Bertrand.

Tubarões

O biólogo conta que a presença de tubarões na ilha foi registrada pelo estudo. “Esses animais são os predadores maiores: sem tubarões, o ambiente está desequilibrado. Achamos a quantidade desses animais compatível com Noronha”, diz Arnaud Bertrand.

O engenheiro de pesca Léo Veras, diretor do Instituto Tubarões de Fernando de Noronha, aponta a importância das informações obtidas com esse estudo.

“Aprendi muito com a lógica oceânica. Noronha é muito mais do que se vê a olho nu. Só com equipamentos sofisticados vamos ter uma leve noção da vida que tem no entorno da ilha. Existem organismos que a gente nem se dá conta que estão lá e são fundamentais para a cadeia ecológica e o equilíbrio ambiental”, diz.

Fonte: https://glo.bo/2GvKdUM