Nesta terça-feira (15) Fernando de Noronha recebeu o cruzeiro turístico L’Austral, da França. A bordo estavam 305 pessoas, 170 passageiros e 135 tripulantes. O cruzeiro fez escala no Recife e a ilha foi a última parada no Brasil, mas os turistas não foram autorizados circular por terra. A  licença para a escala de um dia, emitida pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), só possibilitou que os visitantes realizassem passeios no mar como mergulho autônomo, passeio de barco e mergulho de reboque.

“Não  é uma operação que atende a ilha como um todo, eu não entendi a proibição do desembarque em Noronha dos passageiros. Isso prejudica os taxistas, a venda de suvenir do pessoal do artesanato, bares e restaurantes. Estamos num momento de crise e perder uma oportunidade dessa é muito ruim para a população. Além disso é muito frustrante para o turista que está circulando o mundo ser impedido de desembarcar, é uma pena”, reclamou o empresário Milton Luna, responsável pelas operações de receptivo dos cruzeiros.

O navio é um cinco estrelas e conta com turistas adultos ou idosos. A embarcação transporta  clientes de alto poder aquisitivo que fazem ecoturismo pelo mundo. “Nós explicamos aos passageiros que este é um trabalho pioneiro do descobrimento eventual de um destino que é uma ilha preservada, Fernando de Noronha. Eles aceitaram, mas  houve uma frustração. Queremos voltar à Noronha, um lugar lindo e diferente e que se encaixa na filosofia de preservação que pregamos em nossas viagens. Eu  tenho certeza que nossos visitantes se encaixam também no que a ilha busca e precisa”, revelou o comandante L’Austral, Jean-Philippe Lemaire.

O diretor Financeiro da Administração do Distrito, Rodrigo Valença, explicou que o governo local queria o desembarque dos visitantes . “Para os turistas a escala sem descer em terra não é interessante e para o destino Noronha também não é bom. Era importante que os visitantes circulassem na ilha, mas nós respeitamos a decisão do Instituto Chico Mendes”, falou Valença. 

Porto 

A chefe da Área de Proteção Ambiental do ICMBio, Lisângela Cassiano, explicou que o principal motivo para não liberar o desembarque é o problema de infraestrutura do Porto de Santo Antônio. No último mês de dezembro a área de embarque e desembarque de passageiros desmoronou com a força do mar e o píer foi interditado. Desde então  os turistas estão utilizando provisoriamente a área de desembarque de carga. 

“Houve uma promessa da Administração da Ilha que seria feita a manutenção do píer do Porto de Santo Antônio, o que não aconteceu. Todos os indicativos, incluindo o excesso de turistas em Fernando de Noronha, alertam que corremos o risco de incidentes desagradáveis. Enquanto a gente não parar com Administração do Distrito e a CPRH (Companhia do Meio Ambiente) para recalcular tudo, fica complicado dar qualquer autorização. São muitos problemas no porto e ainda tem o número excessivo de visitantes em Noronha, 90 mil  pessoas em 2015”, informou Lisângela Cassiano.

O diretor Financeiro do Distrito disse os braços de sustentação do píer de passageiros estão prontos no continente e que serão embarcados  para a ilha no máximo em uma semana. “A demora para instalação dos novos braçosacontece devido à fabricação das peças. Independente disso, nossa equipe está pronta para montar uma operação para a vinda de qualquer navio e temos condições de viabilizar a descida de passageiros “, finalizou Rodrigo Valença.

Fonte: http://g1.globo.com/pernambuco/blog/viver-noronha/post/navio-da-franca-faz-escala-em-noronha-mas-turistas-nao-sao-autorizados-visitar-ilha.html